A arte, na minha adolescência, foi fundamental para a minha construção como indivíduo social e criativo, por isso, eu levo muito à sério a inserção das diversas manifestações artísticas dentro das minhas aulas e sempre procurei criar parcerias multidisciplinares dentro da escola a fim de conectar o conhecimento com diversas habilidades tanto cognitivas quanto manuais, promovendo uma aprendizagem integral.
Eu precisei antes despertar em mim, desconstruir ideias prontas e explorar zonas desconhecidas, experimentar, errar e acertar, e isso foi riquíssimo para o meu processo profissional e, principalmente, pessoal.
Foi e é fascinante trabalhar com os adolescentes por meio da fotografia, porque a ação fotográfica requer prática, requer trabalhar com o universo lúdico, requer explorar o cotidiano deles de uma forma totalmente inusitada, adentrando questões mais profundas que esbarram no autoconhecimento e no senso coletivo.
A fotografia é um instrumento poderoso de interpretação do mundo, a câmera nos dá a possibilidade de expressar o COMO OLHAMOS os acontecimentos à nossa volta, o COMO PODEMOS ESTIMULAR a nossa imaginação criando narrativas ficcionais e poéticas acerca de temas que nos inquietam e nos transpassam, e COMO PERCEBEMOS nosso corpo e mente presentes no ato de realizar as imagens.
A fotografia dialoga diretamente com estes campos que abraçam e potencializam a experiência, a diversão e o conhecimento.
A fotografia é uma ferramenta artística e pedagógica completa para este público, pois além de estar disponível em praticamente todos os celulares e de fácil acesso, ela se torna uma verdadeira ponte entre o pensar e o agir diante das coisas que eles vivem e sentem.
Adquirir uma cultura visual durante toda a vida e aprendizado escolar, principalmente numa sociedade cada vez mais pautada por imagens, é fundamental para que tenhamos jovens com senso crítico apurado, compreendendo mais profundamente o universo visual que o circunda e adquirindo mais autonomia em suas escolhas.