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O que Paulo Freire dizia sobre ensinar?

Mauro Macedo
Mauro Macedo
2025-06-23 01:25:22
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Quem ensina deve saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Isso exige uma mudança de postura em quem ensina; demanda a compreensão que o conhecimento não é um objeto qualquer que você, ao entregar ao outro, continua sendo o mesmo objeto. Na proposta do autor brasileiro, eu não transfiro um conhecimento, eu possibilito que o aluno - ou meu filho - produza, construa o conhecimento. Há um espaço de liberdade para as indagações, curiosidades e até questionamentos. Paulo Freire sustenta a necessidade de permitir que o aluno problematize, discuta e construa o conhecimento dele; não é o meu conhecimento, não é do jeito que entendo, não é do meu autor preferido. Noutras palavras, o meu conhecimento não pode se impor. O pensador comenta que essa postura é muito difícil, às vezes, penosa. Ela contraria as nossas tendências, a nossa vontade de fazer com o que o outro reproduza as coisas do meu jeito. Paulo Freire diz que o professor deve manter uma vigilância constante sobre si próprio para evitar os simplismos, as facilidades, as incoerências grosseiras.
Edgar Correia
Edgar Correia
2025-06-20 19:44:28
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Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Ensinar não é transferir conhecimento e sim criar as possibilidades de apreensão. Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender. Não temo dizer que inexiste validade no ensino de que não resulta um aprendizado em que o aprendiz não se tornou capaz de recriar ou de refazer o ensinado. Ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão. Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. Ensinar é profissão que envolve certa tarefa, certa militância, certa especificidade no seu cumprimento. O processo de ensinar, que implica o de educar e vice-versa, envolve a “paixão de conhecer” que nos insere numa busca prazerosa, ainda que nada fácil. É preciso juntar à humildade com que a professora atua e se relaciona com seus alunos, uma outra qualidade, a amorosidade, sem a qual seu trabalho perde o significado. Tenho certeza de que um dos saberes indispensáveis à luta das professoras e professores é o saber que devem forjar neles e nelas, que devemos forjar em nós próprios, da dignidade e da importância de nossa tarefa. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, contatando intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. O professor é, naturalmente, um artista, mas ser um artista não significa que ele ou ela consiga formar o perfil, possa moldar os alunos. O que um educador faz no ensino é tornar possível que os estudantes se tornem eles mesmos. Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria. Onde quer que haja mulheres e homens, há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender. Além de um ato de conhecimento, a educação é também um ato político. É por isso que não há pedagogia neutra.
Irina Gomes
Irina Gomes
2025-06-07 20:45:58
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Ele defendia a utilização da realidade do aluno como ponto de partida para o ensino, apresentando os métodos de alfabetização de forma que o educando pudesse se relacionar com o conteúdo. Quando ensinou pedreiros analfabetos no Nordeste, utilizou a palavra tijolo como elemento principal nas lições, dividindo-a silabicamente como ti-jo-los. Depois, suprimia uma das sílabas, como por exemplo "ti", e questionava os alunos se está faltando algo na palavra, utilizando a exclusão e inclusão das sílabas como método de ensino. Praticamente tudo era escolhido para facilitar o contato entre a realidade do alfabetizando e o aprendizado da alfabetização. O método de Paulo Freire segue o caminho do método silábico, apresentando as sílabas de forma que o aluno obtenha familiaridade com elas, mas dá destaque para a realidade do aluno. Ele apropriou-se do método silábico e concedeu-lhe nova interpretação, utilizado por muitos professores que utilizam “as famílias” para alfabetizarem as crianças, por exemplo, a família do “F”: fa, fe, fi, fo, fu.