Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.
Ensinar não é transferir conhecimento e sim criar as possibilidades de apreensão.
Quem ensina aprende ao ensinar.
E quem aprende ensina ao aprender.
Não temo dizer que inexiste validade no ensino de que não resulta um aprendizado em que o aprendiz não se tornou capaz de recriar ou de refazer o ensinado.
Ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão.
Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar.
Ensinar é profissão que envolve certa tarefa, certa militância, certa especificidade no seu cumprimento.
O processo de ensinar, que implica o de educar e vice-versa, envolve a “paixão de conhecer” que nos insere numa busca prazerosa, ainda que nada fácil.
É preciso juntar à humildade com que a professora atua e se relaciona com seus alunos, uma outra qualidade, a amorosidade, sem a qual seu trabalho perde o significado.
Tenho certeza de que um dos saberes indispensáveis à luta das professoras e professores é o saber que devem forjar neles e nelas, que devemos forjar em nós próprios, da dignidade e da importância de nossa tarefa.
Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando.
Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago.
Pesquiso para constatar, contatando intervenho, intervindo educo e me educo.
Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.
Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade.
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.
O professor é, naturalmente, um artista, mas ser um artista não significa que ele ou ela consiga formar o perfil, possa moldar os alunos.
O que um educador faz no ensino é tornar possível que os estudantes se tornem eles mesmos.
Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo.
A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca.
E ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.
Onde quer que haja mulheres e homens, há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender.
Além de um ato de conhecimento, a educação é também um ato político.
É por isso que não há pedagogia neutra.