Nenhuma mistura caseira é capaz de substituir o whey.
Além da necessidade de um longo processo para a extração da proteína do leite, o que impossibilita a reprodução caseira, as alternativas que usam proteína vegetal vão contar com ao menos três diferenças fundamentais:
Quantidade de aminoácidos
A leucina é um aminoácido essencial que ajuda na construção e recuperação da massa muscular, antes de ser fundamental na síntese proteica.
Mas, levando em conta que na mistura há a adição do leite em pó, que é rico em leucina, há uma correção nessa deficiência que a proteína de soja apresenta em relação ao whey.
A soja, assim como qualquer outro vegetal rico em proteína ou até a albumina, presente na clara do ovo, não se assemelha na questão dos aminoácidos.
É praticamente impossível ter uma composição similar.
Quantidade de proteína
Outro ponto destacado pelas especialistas é que a quantidade de proteína no whey é maior do que na mistura.
Isso acontece justamente porque o whey é um produto industrializado, no qual a proteína é isolada.
Michele Trindade explica que estudos já mostram que, para ter uma quantidade de proteína semelhante ao whey, seria necessário quase o dobro do extrato de soja.
Será que existe mesmo esse custo-benefício?
Porque você pode pagar mais barato na soja, mas vai ser preciso usar quase o dobro da quantidade para ter a mesma porção de proteína.
Além disso, ela pondera que a mistura caseira tende a ser muito mais calórica do que o whey industrializado, já que a combinação de proteína de soja, cacau e leite em pó é também é rica em carboidratos.
Velocidade de absorção
Por última, Ferraz também comenta que a proteína de soja é mais lentamente absorvida pelo organismo do que a proteína do soro do leite.
A disponibilidade dos aminoácidos da proteína de soja para os músculos é mais lenta do que o whey protein.
A composição da proteína de soja faz com que seus aminoácidos sejam mais utilizados a nível intestinal.
Trindade ainda pondera que, apesar da diferença na digestibilidade entre os dois tipos de proteína, quando se analisa a síntese proteica não há um impacto muito relevante.
Ela ressalta que o importante é consumir a quantidade recomendada de proteínas em 24 horas.
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Assim como o whey protein, a mistura caseira teria como objetivo aumentar o consumo de proteína – mas boa parte das pessoas consegue a cota diária necessária apenas com uma alimentação balanceada.
Michele Trindade comenta que, se há uma distribuição adequada de proteínas ao longo de todas as refeições, com o consumo de ovos, derivados de leite, grãos e carnes, dificilmente a pessoa vai precisar de um complemento proteico como o whey.
O que normalmente as pessoas que querem ganhar massa muscular erram é que não fazem a ingestão de calorias totais de forma adequada.
Ou seja, foca tanto na proteína, que não presta atenção na quantidade de carboidrato consumido.
De forma geral, os especialistas indicam que o suplemento é recomendado para os seguintes casos:
Atletas que precisam de uma quantidade elevada de proteínas para a síntese proteica e ganho de massa muscular.
Idosos com perda de massa muscular própria do envelhecimento (sarcopenia).
Adolescentes em fase de crescimento intenso que precisam de maior quantidade de proteínas.
Pacientes oncológicos em tratamento com perda de massa muscular.
O whey também pode ser uma boa opção para vegetarianos ou veganos que não conseguem adequar a dieta para atingir a quantidade ideal de proteínas por dia.
Mesmo com a indicação para o consumo nessas situações, as nutricionistas alertam que todos os casos exigem uma orientação adequada para o uso, com acompanhamento médico.
Whey protein: especialistas explicam quando a suplementação é recomendada.