Patanjali fala-nos de oito Pilares Fundamentais para viver de acordo com a filosofia Yoga.
Percorrendo a analogia da árvore explorada por B.K.S Iyengar, iniciámos esta viagem pelos Pilares do Yoga nas raízes (Yamas), subimos ao tronco com os Niyamas, a partir do qual estendemos os ramos - Asanas, a parte mais conhecida e mais visível do Yoga.
Dos ramos revelam-se as folhas (Pranayama) e, ainda na parte visível da árvore, falámos também de Pratyahara, a casca que protege do “ruído” externo.
Hoje vamos mergulhar numa parte mais intrínseca da árvore, os três últimos pilares fundamentais do Yoga: Dharana, Dhyana e Samadhi.
Partindo de Pratyahara (de que falámos no mês passado) e livres das distrações externas, abrimo-nos a um estado de concentração focada.
Em Dharana, primeiro passo em direção à meditação, aprendemos a acalmar as flutuações da mente, focando a nossa atenção num único ponto ou experiência, como o corpo, a respiração, a visualização, um objeto ou um mantra.
Dhyana, flor de toda a consciência, é o 7º pilar e consiste na “absorção meditativa”.
É uma concentração sustentada, cultivada através de uma prática consistente, chegando a um ponto em que eventualmente transita para um fluxo sem esforço.
Samadhi, a total auto-realização.
Patanjali descreve este 8º e último pilar do Yoga como um estado de êxtase.
Muitos atribuem a Samadhi o estado de total felicidade ou iluminação.
Se desconstruirmos a palavra em sânscrito, vemos que é composta por duas palavras: 'sama', que significa igual, e 'dhi', que significa ver.
Esta capacidade de “ver igualmente” e sem perturbação da mente, sem que a experiência seja condicionada por fatores externos, sem julgamentos ou apegos… isso é felicidade.
Samadhi é uma absorção na experiência da consciência suprema e é o resultado da prática continuada no estado meditativo.
Muito embora não seja um estado que possamos alcançar de forma permanente, o próprio processo em direção a este estado, através de todos os estágios anteriores, já é um caminho de maior consciência, paz e felicidade.
No fundo, descreve Patanjali como a conclusão do caminho yogi, é o que todos os seres aspiram: paz.