A Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA) é das perturbações do neurodesenvolvimento mais frequentes e estudadas.
As crianças com PHDA exibem um conjunto de características e comportamentos disruptivos caracterizados por desatenção, hiperatividade e impulsividade.
Russell Barkley (1990) define-a como um distúrbio de desenvolvimento caracterizado por graus desenvolvimentalmente inapropriados de desatenção, sobreatividade e impulsividade, as quais têm frequentemente o seu início na primeira infância; têm uma natureza relativamente crónica; não simplesmente explicáveis por deficiências neurológicas, sensoriais, de linguagem, motoras, deficiência mental ou distúrbios emocionais severos.
Cardo e Servera-Barceló (2005) referem que a PHDA tem uma base genética, em que estão implicados diversos fatores neuropsicológicos, que provocam na criança alterações atencionais, impulsividade e uma grande atividade motora.
Trata-se de um problema generalizado de falta de autocontrolo com repercussões no seu desenvolvimento, na sua capacidade de aprendizagem e no seu ajustamento social.
Estes sintomas nucleares da PHDA condicionam significativamente o desempenho do indivíduo (crianças, jovens e adultos) nos diversos contextos e atividades (e.g., escolar, social e ocupacional) em que é necessário um comportamento adequado.
Em face das alterações comportamentais e neurocognitivas (funcionamento executivo, atenção, memória de trabalho, etc.), as crianças com PHDA tendem a apresentar, com bastante frequência, dificuldades de aprendizagem, dificuldades no relacionamento com os pares, problemas de ajustamento psicossocial, dificuldades em cumprir regras e atingir os objetivos, imaturidade, entre outros.